O estilo de Beyoncé: do Destiny’s Child a carreira solo

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Legenda: Beyoncé em apresentação no intervalo do Super Bowl 2016
Legenda: Beyoncé em apresentação no intervalo do Super Bowl 2016

Eu junho desse ano, na entrega de prêmios do CFDA (Council of Fashion Designers of America), um quase Oscar do mundo da moda, Beyoncé foi escolhida como ícone fashion de 2016.

A escolha só veio pra sacramentar a carreira de uma artista que sempre deu muito valor a moda, tanto nas suas aparições em red carpets e eventos, quanto nos looks de seus shows e videoclipes. Lemonade, álbum lançado no começo do ano, é a prova máxima disso, contando com uma grande preocupação estética no curta-metragem que foi lançado junto com suas músicas.

A relação de Beyoncé com a moda, no entanto, vem desde muito cedo, e até chegar ao estilo poderoso que a cantora possui hoje em dia, foram muitas as transformações pelas quais passou, condizentes não apenas com seus gostos e algumas das maiores tendências da época em questão, mas principalmente com as diferentes fases de sua carreira.

A história de Beyoncé Knowles com a música começou efetivamente no início dos anos noventa, quando a musa conheceu a também cantora Latavia Roberson e juntas decidiram criar o grupo Girl’s Tyme. Os primeiros anos de grupo foram bastante complicados, mas, finalmente em 1997, já sob o nome de Destiny’s Child, elas conseguiram lançar seu primeiro álbum de estúdio e figurar no topo das paradas de sucesso.

Na época, Bey já era uma garota dona de um visual muito sexy, com roupas que exploravam bastante suas curvas. Nos clipes e shows, ela e as outras integrantes da banda (que tiveram sua formação mais famosa com Beyoncé, Kelly Rowland e Michelle Williams) apostavam em figurinos com barriga de fora, – uma das maiores tendências do começo dos anos 2000 – enquanto nas premiações, o visual poderoso ficava por conta de vestidos que acompanhavam a silhueta do corpo, especialmente os com babados e brilhos.

No entanto, mais do que sensuais, as roupas do Destiny Child davam as meninas uma unidade e um empoderamento que talvez nem elas percebessem. Como Beyoncé contou em seu discurso do CFDA “quando estávamos começando no Destiny’s Child, grandes grifes não queriam vestir quatro garotas negras, com curvas e do interior. E nós não podíamos pagar vestidos grifados ou de alta-costura (…) Minha mãe e meu tio Johnny (Deus abençoe sua alma) desenharam todos os nossos primeiros figurinos e fizeram cada peça à mão, costurando centenas de pérolas e cristais, colocando muita paixão e amor em cada detalhe.”

Legenda: Foto do Destiny's Child na época de Beyoncé, Kelly Rowland e Michelle Williams. Alguns dos maiores sucessoS do trio foram Survivor, Soldier e Bootylicious
Legenda: Foto do Destiny’s Child na época de Beyoncé, Kelly Rowland e Michelle Williams. Alguns dos maiores sucessoS do trio foram Survivor, Soldier e Bootylicious

Em 2003, paralelo ao grupo e a exemplo do que fizeram as outras integrantes do Destiny’s Child, Beyoncé lançou seu primeiro álbum solo, Dangerously in Love. Ela fez questão de se envolver diretamente em toda a produção do CD e a imagem da cantora se tornou ainda mais autêntica, distanciando-se cada vez mais da estética do trio.

As roupas sexys dos clipes vieram com ainda mais força, desde Crazy in Love, onde uma Beyoncé de regata branca, shorts jeans e scarpins vermelhos arrasa em cena, até Naught Girl, onde ganha espaço a imagem da mulher poderosa, com brilhos, cabelo volumoso e maquiagem carregada.

Legenda: Beyoncé em uma foto postada em seu Instagram (@beyonce)
Legenda: Beyoncé em uma foto postada em seu Instagram (@beyonce)

Ainda que o trabalho com o Destiny Child continuasse (o grupo permaneceu junto até 2004 e nove anos depois, em 2013, lançou um último álbum), Beyoncé passou a trilhar seu próprio caminho, pessoal e profissional.

Aos poucos, os bodys, – que se tornariam sua marca registrada – viraram peça soberana em seus looks de show. De couro, rendados, com transparências, fendas ou brilhos eles passaram a aparecer em todas as apresentações da cantora. E a diferença não foi apenas no tipo de peça adotada, mas especialmente na atitude que vinha no pacote: mais chocante do que provocativa, mais poderosa do que sexy.

Assim como suas músicas foram ganhando mais força nas letras, quer com canções que falavam sobre feminismo, quer com músicas que falavam sobre o movimento negro, as roupas de seus clipes e shows passaram a falar também por si só, atingindo o ápice no álbum lançado no começo do ano.

Hoje em dia, em red carpets ou clipes, eventos ou shows, Beyoncé desfila roupas de algumas das marcas mais famosas do planeta, como Gareth Pugh, Emilio Pucci, Jean Paul Gaultier, Alexander McQueen e Givenchy. Um mundo muito diferente do que a garota que fundou o Destiny’s Child imaginava, mas que, mais importante do que ser grifado, é o de ter apostado em uma imagem de uma mulher poderosa, que tem usado suas músicas, sua estética e influência para levantar bandeiras extremamente importantes.

Uma diva, de fato.

Beijos e até a próxima!

Jornalista formada pela Unesp, tem 27 anos e divide seu tempo entre a redação de uma editora de revistas e seu blog. É apaixonada por moda, – desde que entendeu o quanto esse universo pode ser inspirador e inteligente – livros, cinema, uma boa xícara de café e conversas sobre a vida, o universo e tudo mais.

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