A (fantástica) história do jeans

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Não bastasse ser um dos tecidos mais presentes no armário do brasileiro, o jeans tem também uma das histórias mais legais do mundo da moda. Diferente da maioria dos tecidos e peças que usamos, que foram lançados por uma grande marca e viraram tendência, o jeans fez o caminho inverso, saindo das ruas e, só muito tempo depois, indo para as passarelas e editoriais de moda.

Uma das peças mais democráticas e cool do universo fashion | Foto: Pixabay
Uma das peças mais democráticas e cool do universo fashion | Foto: Pixabay

Mas para entender melhor essa história é preciso voltar ao começo de tudo. Mais precisamente aos anos 1850, quando começou a corrida do ouro nos EUA. Foi nessa época que um jovem judeu alemão vendedor de mercadorias chegou ao país e logo percebeu que uma das maiores necessidades que os mineradores tinham era a de achar calças resistentes ao trabalho pesado nas minas. Foi pensando nisso que o vendedor Oscar Levi Strauss resolveu ele mesmo dar um jeito na situação e desenvolveu uma calça feita com o material que dispunha: a lona que cobria sua carroça. Nascia assim o primeiro protótipo do que seriam as calças jeans.

Essas primeiras calças desenvolvidas por Levi eram marrons e não demorou muito para que o vendedor decidisse usar um material ainda mais resistente para o trabalho. O tecido escolhido foi um tipo de estopa de algodão importada da região de Nimes, na França. De posse dele, um novo tipo de calças mais fortes, mas também mais confortáveus foi feito, e a esse novo lote foi dado o nome de “501”.

Marylin Monroe usando as famosas calças 501 da Levi's | Foto: site oficial da Levi's
Marylin Monroe usando as famosas calças 501 da Levi’s | Foto: site oficial da Levi’s

Já com sua empresa em andamento, – a Levi Strauss & Co, a que mais tarde chamaríamos apenas de Levi’s – o comerciante e seu sócio,  Jacob Davis, foram ao longo dos anos aplicando diversos tipos de modificações nas calças jeans, desde seu processo de tingimento, até a costura de bolsos e a inserção de tachinhas. Mais versáteis, elas acabaram conquistando também outros tipos de trabalhadores, que adoravam a durabilidade e a praticidade que elas propocionavam.

O seu ápice, no entanto, ainda estava por vir. Com a chegada dos anos 50 e do espírito de rebeldia que tomava os adolescentes, as calças jeans acabaram se tornando uma peça que chocava os antigos valores e que, ao mesmo tempo, era cool, descolada e democrática.

A consagração veio quando James Dean, ídolo jovem que se alçou ao posto de figura lendária do cinema e morreu prematuramente, protagonizou o filme Juventude Transviada usando suas calças jeans Levi’s. Junto com ele, ídolos como Elvis Presley se juntaram a nova mania, e, de repente, as calças jeans passaram a invadir o armário de todos os jovens, desde os roqueiros, que viam na calça uma forma de constestação, até mais tarde os hippies, que enxergavam nela um símbolo de igualdade de classes.

James Dean nas roupas do personagem Jim Stark, o protagonista do filme Juventude Transviada
James Dean nas roupas do personagem Jim Stark, o protagonista do filme Juventude Transviada

O mundo da moda, no entanto, ainda não estava convencido do poder do jeans. A peça só foi aparecer na coleção de uma grande grife nos anos 70, quando Calvin Klein apostou nas calças jeans como itens de destaque em seu desfile. Foi o estilista também quem, uma década depois, chocou os mais recatados com um poderoso comercial, onde uma Brooke Shields jovem, sensual e usando calças jeans, dizia ao público “Você sabe o que há entre mim e a minha Calvin? Nada!”.

Outra revolução causada pelas calças jeans no mundo da moda foi em 1988 quando Anna Wintour assumiu a editoria da revista Vogue americana. Para o público acostumado a ver vestidos ultra glamourosos estampados na capa da publicação, foi um choque ver a modelo Michaela Bercu vestindo calças jeans GAP em uma pose super espotânea e extrovertida.

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A primeira capa de Anna Wintour na Vogue US trouxe a modelo Michaela Bercu usando calças jeans

Foi assim que, passo a passo, o jeans conseguiu se inserir na indústria da moda e se transformou em um dos itens mais vendidos em todo o mundo. Traçando um caminho inverso e, por isso mesmo, ainda mais poderoso do que o da maioria, ele provou seu valor como item necessário e também fashion.

Beijos e até a próxima!

Jornalista formada pela Unesp, tem 27 anos e divide seu tempo entre a redação de uma editora de revistas e seu blog. É apaixonada por moda, – desde que entendeu o quanto esse universo pode ser inspirador e inteligente – livros, cinema, uma boa xícara de café e conversas sobre a vida, o universo e tudo mais.

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