Oscar 2017: indicados a melhor figurino

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Aliados

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Tendo o casal de estrelas Marion Cotillard (Marianne Beausejour) e Brad Pitt (Max Vatan) como protagonistas, Aliados se passa durante os anos 40, em Casablanca, no Marrocos, quando dois espiões se conhecem durante uma missão para matar um embaixador nazista. A dupla se apaixona perdidamente, decide se casar e vai viver como uma família feliz em Londres, até que Max passa a desconfiar que Marianne esconde de todos um passado negro e perigoso.

O figurino do filme é uma mistura da vibe noir (uma espécie de subgênero do cinema que se refere a filmes policiais) com todo o glamour da Hollywood dos anos 40.

Especialmente na primeira parte da história, quando o casal se conhece e está no meio da missão, os vestidos usados por Marion chamam muita atenção. Extremamente sofisticados, eles são sexys de uma maneira não escancarada e tem um glamour que parecem saídos de uma premiação do próprio Oscar.

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Em uma entrevista para a Harper’s Bazaar, a figurinista do filme – a maravilhosa Joanna Johnston, que já foi indicada nessa categoria pelo filme Lincoln (2012) – contou que há um momento de transição muito grande nos figurinos da história quando o casal se muda para Londres. Nessa parte da narrativa, a ideia era passar a impressão que Marianne está constantemente interpretando um papel (de acordo com o cenário e situação vividos) e nós não sabemos de fato quem é ela é. Assim, foi necessário manter-se todo o charme da produção adequado ao estilo “dessa nova mulher” – o que quem for assistir ao filme vai perceber, foi feito com maestria pela figurinista.

La La Land

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Com figurino assinado por Mary Zophre, que já teve uma indicação ao Oscar em 2010 pelo filme Bravura Indômita, La La Land conta a história de uma aspirante a atriz (Emma Stone) e de um pianista que sonha em ter seu próprio bar de jazz (Ryan Gosling), quando os dois começam a namorar e a incentivar os sonhos um do outro.

O filme é uma homenagem aos grandes musicais de Hollywood e usa e abusa dos figurinos para contar essa história. Com uma produção muito colorida, quase sempre marcado por peças de cores únicas e bem fortes, as cenas só se tornam mais escuras quando começam a surgir desentendimentos entre os protagonistas.

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Mary contou ao Hollywood Reporter que as roupas de Ryan foram feitas pela própria produção e variaram pouco ao longo da história, deixando bem marcante o estilo do personagem. Em contrapartida, o figurino de Emma teve muitas roupas garimpadas, tendo cada um dos seus vestidos uma inspiração direta em vestidos usados por grandes atrizes do cinema, como Ingrid Bergman, Judy Garland, Ginger Rogers…

Um tributo, de fato, nos mínimos detalhes.

Jackie

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Ser a figurinista de um filme sobre Jacqueline Kennedy é talvez uma das maiores responsabilidades que uma profissional da área pode tomar para si. Especialmente se esse filme se debruça sobre o momento mais crítico e delicado da vida de Jackie: o assassinato de seu marido, John Kennedy, e os dias que se sucederam a ele.

Foi com esse roteiro em mãos que Madeline Fontaine, nunca antes indicada pela academia, precisou trabalhar. Sabendo do quanto Jackie sempre foi uma figura icônica na área de moda e da importância política do momento (e de como a imagem pessoal pode ser uma arma valiosa nessa área), a figurinista precisou criar um guarda-roupa de aproximadamente 10 looks para a protagonista Natalie Portman usar durante o longa.

Entre essas dez produções, estão algumas das roupas que entraram para a história – política e fashion – como o tailleur rosa Chanel que Jackie usava quando seu marido foi assassinado e o vestido verde Dior usado durante sua famosa entrevista à revista Life (realizada pouco depois da morte de Kennedy e retratada no filme).

Ambos os vestidos foram recriados pela própria produção do longa-metragem, que precisou confeccionar vários modelos para chegar ao resultado final apresentado. Um trabalho de pesquisa intenso que coloca Jackie, inclusive, como o favorito da noite para levar a estatueta de melhor figurino.

Florence: quem é essa mulher?

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Florence Foster Jenkins é um filme baseado em fatos reais que leva o nome da protagonista da sua história, uma socialite riquíssima que ficou famosa durante os anos 40 em New York por persistir obstinadamente no sonho de se tornar uma cantora lírica. O “único” problema é que Florence era completamente desafinada, fato que conscientemente ou não, ela tratava de ignorar.

Curiosamente, suas apresentações sempre lotavam, acompanhadas por um público que entre o riso e o choque achavam Florence uma figura maravilhosamente bizarra. E isso não apenas pela sua voz, mas também pelas suas roupas, que a própria Florence mandava produzir e que eram tão extravagantes e grandiosas quanto a própria cantora.

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E foi assim, diante de uma figura de personalidade tão única, que a figurinista Consolata Boyle encantou com seu trabalho. Ela já havia sido indicada ao Oscar pelo filme “A Rainha” (2006), – em uma dobradinha com o mesmo diretor de Florence, Stephen Frears – e conseguiu essa segunda indicação recriando todos os detalhes excêntricos e maravilhosos da protagonista (interpretada por ninguém menos que Meryl Streep).

Em uma entrevista para o The Telegraph, a figurinista contou que ela procurou se manter o mais fiel possível aos tecidos e roupas usados por Florence e que esse trabalho foi feito junto com a própria Meryl, de forma que as peças escolhidas realmente pudessem passar as emoções que a atriz queria. Uma preocupação que, nota-se pelo resultado final da história, deu ao filme uma veracidade ainda maior.

Animais Fantásticos e Onde Habitam

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Colleen Atwood, figurinista responsável por Animais Fantásticos e Onde Habitam, é uma velha conhecida da academia. Ela já foi indicada 11 vezes à premiação, e de todas essas indicações, levou três estatuetas para casa, pelos filmes Chicago (2002), Memórias de uma Gueixa (2006) e Alice no País das Maravilhas (2010).

Em Animais Fantásticos, a figurinista pôde, inclusive, explorar um de seus gêneros preferidos de trabalho: a fantasia. Afinal, essa é a história de um bruxo que estuda criaturas mágicas e que, por descuido, acaba deixando que elas escapem da sua maleta. A partir daí o filme se debruça sobre a sua busca por essas criaturas, em meio a uma New York dos anos 1920 em que bruxos vivem uma vida paralela ao dos humanos sem poderes mágicos (os no-majs).

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Primeiro filme de uma série que é spin-off da saga Harry Potter (e marca a estreia de J. K. Rowling como roteirista nas telonas), Colleen teve um desafio dobrado que foi o de retratar uma década tão peculiar, especialmente no quesito fashion, sem se esquecer que os personagens vivem dentro de um mundo de fantasia, com características próprias.

O trabalho de pesquisa envolveu trajes da década de 20 de várias cidades diferentes, o que fez com que a produção final conseguisse misturar muito bem essas referências, sem deixar de lado o universo do filme. Mais um trabalho incrível de uma profissional que já tem um currículo para lá de maravilhoso.

E agora me contem vocês, para quem vai sua torcida de melhor figurino? O resultado dessa disputa a gente confere amanhã, no Oscar.

Beijos, e que vença o melhor!

 

Jornalista formada pela Unesp, tem 27 anos e divide seu tempo entre a redação de uma editora de revistas e seu blog. É apaixonada por moda, – desde que entendeu o quanto esse universo pode ser inspirador e inteligente – livros, cinema, uma boa xícara de café e conversas sobre a vida, o universo e tudo mais.

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